A paz a todos!
Amados, após tanto tempo de inatividade, finalmente estou voltando a ativa.
Continuemos agora nosso estudo acerca das evidências bíblicas acerca da divindade de Cristo, doutrina de suma importância para a Cristologia. Vejamos agora a comprovação da divindade de Cristo através das declarações apostólica em relação à Ele.Bom estudo a todos!!
V. Sua divindade é declarada pelas declarações apostólicas em relação à Ele
Além de verificarmos a evidência da divindade de Cristo através dos títulos atribuídos a Cristo, aos títulos que Jesus atribuía a si mesmo, as obras por Ele realizadas, as obras atribuídas à Ele pelos apóstolos, pelos atributos divinos manifestados por Ele ao efetuar seus 35 milagres, podemos verificar Sua natureza divina, através das declarações apostólicas em relação à sua pessoa, como veremos a seguir.
i. Ele é considerado como a única fonte da verdade
A primeira declaração apostólica acerca da divindade de Cristo, está registrada em Jo 6.22-59, onde vemos um dos mais incisivos discursos de Jesus aos judeus acerca de sua natureza divina e da importância de sua morte vindoura.
O impacto desse discurso foi tamanho, que resultou na separação entre aqueles que verdadeiramente acreditavam Nele daqueles que eram incrédulos acerca de sua missão e da sua pessoa. Ao ver que inúmeros de seus discípulos haviam lhe abandonado, deixando assim de seguí-lo (Jo 6.66), Jesus se dirige ao seu círculo de discípulos mais íntimos e lhe faz a seguinte pergunta: “Vocês também não querem ir?” (v.67), tendo como resposta uma das mais lindas declarações apostólicas acerca de sua pessoa, Pedro, falando em nome dos doze declara: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus” (Jo 6.68-69).
Tal declaração apostólica, é uma inferência acerca da divindade de Jesus, uma vez que Pedro declara que Jesus, na qualidade de Cristo (messias, ungido) de Deus, era o único portador da palavra da vida eterna.
ii. Ele é considerado como o Filho do Deus vivente
A segunda declaração apostólica acerca da divindade de Cristo é realizada por Pedro, conforme verificado na seguinte passagem:
“Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo” (Mt 16.13-20)
Neste relato (também registrado nos evangelhos de Marcos, Lucas e João) podemos verificar a primeira declaração objetiva dos apóstolos acerca da divindade de Cristo.
Haviam se passado cerca de três anos desde que Jesus iniciara seu ministério terreno, onde Ele havia realizado cerca de 30 milagres até então, resultando em uma enorme fama de sua pessoa nas regiões da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão (Mt 4.29), Jesus resolve se retirar com seus discípulos para além das fronteiras da Galiléia, Judéia e Samaria, para os territórios predominantemente gentios de Tiro, Sidom, Cesaréia de Filipe e Decápolis.
O objetivo dessa jornada à terras estrangeiras não era realizar uma viagem missionária aquelas terras para pregar o evangelho aos gentios, como podemos perceber no contexto de Mc 7.24, uma vez que através de Mt 10.5 e Mc 7.27,28 podemos perceber que não fazia parte dos planos de Jesus a realização de uma jornada evangelística durante seu ministério terreno, jornada esta que seria realizada pela futura igreja primitiva (Mt 28.19-20; At 1.8; 8.1-4). Por inferência (indução), podemos perceber que a razão pela qual Jesus e seus discípulos realizaram essa viagem à terras gentílicas foi motivada pelo fato de o ministério terreno de Jesus ter atingido o seu clímax, por isso, Jesus decide preparar os seus discípulos, para os trágicos eventos que haveriam de ocorrer em Jerusalém, levando-os a obter uma maior compreensão acerca da pessoa de seu mestre. Para isso, Jesus lhes faz a seguinte pergunta: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” (Mt 16.13). Como resposta, seus discípulos responderam: “Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16.14). Ao saber a opinião do povo acerca de sua pessoa, Jesus se dirige aos discípulos com a seguinte pergunta: “Mas vós, quem dizeis que eu sou?“ (Mt 16.15). Como resposta, seus discípulos ficaram em silêncio, sendo este silêncio quebrado pela declaração de Pedro acerca da natureza divina de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” ( Mt 16.16).
Ao declarar que Jesus era “o Filho do Deus vivo” Pedro estava declarando a idéia geral de todos os discípulos acerca da verdadeira natureza de Jesus, pois somente Deus poderia fazer todos os sinais que Deus fazia.
iii. Ele é considerado como sendo igual a Deus
Ao escrever à igreja por ele fundada durante sua segunda viagem missionária (entre 49 a 52 d.C), o apóstolo Paulo faz a seguinte recomendação aos seus discípulos em Filipos: “Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses,mas também dos interesses dos outros” (Fp 2.1-4) ¹.
No entanto, para ratificar o seu apela aos discípulos daquela igreja, ele continua com a seguinte declaração: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.5-8). Ao observarmos esse texto, podemos perceber que Paulo considera Jesus como “sendo em forma de Deus”, ou seja, para ele, Jesus possui a mesma natureza encontrada apenas em Deus, significando dizer que Jesus é igual em essência a Deus.
Para embasar seu pensamento em relação a pessoa de Jesus, Paulo, ao escrever à igreja fundada em decorrência ao seu grandioso ministério na cidade de Éfeso durante sua terceira viagem missionária (entre 53 a 57 d.C), o apóstolo faz a seguinte declaração: “Este(Jesus) é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (Cl 1.15-17). Com essa declaração, o apóstolo declara enfaticamente a natureza divina encontrada na pessoa de Jesus, por cinco motivos a saber: 1) ele declara que Jesus é o “primogênito de toda a criação”, ou seja, à semelhança dos primogênitos da era patriarcal, Jesus possui total primazia sobre todas as coisas criadas; 2) ele coloca Jesus como participante ativo no evento da criação ao dizer que “nele, foram criadas todas as coisas”, uma vez que o Antigo testamento declara enfaticamente que “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1); 3) ele coloca Jesus como a razão pela qual todas as coisas foram criadas ao dizer que “Tudo foi criado por meio dele e para ele”; 4) por atribuir explicitamente a Cristo o atributo divino da eternidade ao afirmar que “Ele é antes de todas as coisas” e 5) por atribuir a Cristo a função exclusiva de Deus de sustentar (manter) a existência de toda a criação ( Jó 9.5-8; Sl 74.16-17; 104.32; Is 40.12; Mt 5.45) ao afirmar que “Nele (Jesus), tudo subsiste”.
iv. Ele é considerado Deus bendito
Em sua carta à igreja de Roma , Paulo faz outra importante declaração acerca da divindade de Cristo, reafirmando assim a crença da igreja primitiva acerca dessa importante doutrina. Conforme vemos no seguinte texto:
“Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo): Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração. Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei, e o culto, e as promessas; Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém” (Rm 9;1-5).
v. Ele é considerado o Senhor da Glória
Outra importantíssima declaração do apóstolo Paulo acerca da divindade de Cristo está registrada em sua primeira carta à igreja de Corinto, onde ele faz a seguinte declaração:
“Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” (1 Co 2.7-9).
Tal declaração (Senhor da Glória) acerca da pessoa de Cristo, é uma referência ao Sl 24.7-10, que diz: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é o Rei da Glória? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é esse Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória”. Esse salmo é uma referência ao Senhor Jesus, conforme podemos perceber ao compararmos este texto com o de Jo 1.14, que diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”
vi. Ele é considerado o portador de toda divindade
A declaração mais importante do apóstolo Paulo acerca da divindade de Cristo, encontra-se registrada na seguinte passagem:
“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.6-9).
Ao afirmar que em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (v.9), ele está se referindo diretamente à divindade da pessoa de Jesus, que conforme a crença da igreja primitiva era o “Verbo de Deus que havia se feito carne, sendo este verbo o próprio Deus” (Jo 1.1,14). Desta forma, Paulo declara explicitamente a absoluta e completa divindade de Jesus.
vii. Ele é considerado o resplendor da glória de Deus
Talvez a declaração apostólica mais forte em relação à divindade de Cristo, está registrada na carta aos Hebreus, como podemos notar na seguinte passagem: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles“ (Hb 1.1-4).
Devemos notar aqui, que corroborando com todos os argumentos apostólicos acerca da divindade de Cristo, o autor de Hebreus declara que Jesus “é o resplendor da glória” de Deus, ou seja, para ele, assim como para todos os apóstolos, Jesus refletia toda a majestade de Deus, e não só isso, para ele, Jesus era “a expressão exata do seu Ser (do Ser de Deus)”, ou seja, para ele, Jesus possuía em si mesmo a plenitude da santidade, poder e moral; qualidades estas encontradas apenas na pessoa de Deus, pensamento este, compartilhado pelo apóstolo Paulo que diz: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl 1.18-19).
Profeta do Deus vivo, servo de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e estudioso das Sagradas Escrituras. Há onze anos ministrando o sagrado evangelho de Cristo!
Novidades!!!
Amigos leitores, a paz do Senhor!
Após um longo período de intividades, estou lhes escrevendo que a partir de amanha, estarei dando continuidade ao estudo sobre a doutrina de Cristo, e em breve estarei publicando meu mais novo estudo: Soteriologia, ou doutrina da salvação!
Aguardem!
Em Cristo
Missionário Felipe
Após um longo período de intividades, estou lhes escrevendo que a partir de amanha, estarei dando continuidade ao estudo sobre a doutrina de Cristo, e em breve estarei publicando meu mais novo estudo: Soteriologia, ou doutrina da salvação!
Aguardem!
Em Cristo
Missionário Felipe
A divindade de Cristo - 3º Parte
Continuemos agora nosso estudo acerca das evidências bíblicas acerca da divindade de Cristo, doutrina de suma importância para a Cristologia. Vejamos agora a comprovação da divindade de Cristo através das obras atribuídas a Ele e através dos atributos divinos demonstrados por Jesus ao longo de seu ministério.
Bom estudo a todos!!
IV. Sua divindade é declarada pelas obras atribuídas a Ele
Como se não bastasse a evidência da divindade de Cristo revelada pelos títulos atribuídos a Cristo, aos títulos que Jesus atribuía a si mesmo, e as obras por Ele realizadas, a sua divindade também é revelada pelas obras que os apóstolos atribuem a Ele, obras estas que somente Deus poderia fazer, obras como:
i. A criação do universo – Jo 1.1-3,10,11; Cl 1.15-16
Ao escrever sua carta a igreja de colossos no ano de 62 d.C, o apóstolo Paulo faz a primeira declaração apostólica acerca da criação do universo pela pessoa de Jesus, ele declara enfaticamente que “que “nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1.15-16).
Para corroborar o pensamento de Paulo, o apóstolo João, ao escrever o seu evangelho entre os anos de 80 a 95 d.C, ele declara que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.2), ratificando esse pensamento ao dizer que “o mundo foi feito por ele” (Jo 1.10).
ii. A preservação de todas as coisas – Cl 1.17
Ainda em sua carta a igreja de colosso Paulo faz uma fortíssima declaração para apoiar a divindade de Cristo, ele simplesmente afirma que “todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17), atribuindo a pessoa de Jesus a função de manter o equilíbrio do universo, algo que somente o Deus criador de todas as coisas poderia fazer.
iii. Julgar a humanidade – 2 Tm 4.1
Além de atribuir a Cristo a criação do universo e a sua preservação, em sua segunda carta a Timóteo, escrita dias antes de sua morte, o apóstolo Paulo afirma que Cristo“há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino” (2 Tm 4.1), dessa forma, o apóstolo está declarando abertamente Cristo é Divino.
III. Sua divindade é declarada pelos atributos divinos demonstrados por Ele
Como se não bastasse a evidência da divindade de Cristo revelada pelos títulos atribuídos a Cristo, aos títulos que Jesus atribuía a si mesmo, as obras por Ele realizadas, e pelas obras que os apóstolos atribuem a Ele, a divindade de Cristo pode ser percebida pelos atributos divinos apresentados por Ele ao efetuar seus 35 milagres (conforme apresentados no item IV) ao longo de seu ministério de três anos e meio. Portanto, discutiremos aqui, quais atributos divinos são apresentados por Jesus, pelas obras por Ele.
i. Eternidade
A eternidade é o atributo divino, que revela a existência antes de toda a criação, antes de todo o espaço e tempo, conforme podemos ver pela seguinte passagem: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2).
No entanto, ao longo de seu ministério Jesus fez declarações que nos revelam que Ele possuía tal atributo, como por exemplo, em sua declaração aos judeus:”... antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58), ou na sua declaração a João em apocalipse: “Eu sou o Alfa e o Ômega” (Ap 22.13)
Dessa forma, através de tais declarações, podemos perceber que Jesus atribui a si mesmo um dos atributos divinos, o atributo da eternidade.
ii. Onipotência
A onipotência é o atributo exclusivo de Deus, que lhe confere poder absoluto sobre todas as coisas, como podemos verificar no seguinte texto do profeta Amós: “Porque é ele quem forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual é o seu pensamento; e faz da manhã trevas e pisa os altos da terra; SENHOR, Deus dos Exércitos, é o seu nome” (Am 4.13).
Ao longo de seu ministério, Jesus demonstrou este atributo divino principalmente em suas 9 intervenções sobre a natureza (Cf. discussão no item IV). Por exemplo, quando Jesus acalmou a tempestade no mar com apenas uma palavra (Mt 8.26-27), quando multiplicou pães e peixes (Mt 14.19) ou quando transformou água em vinho (Jo 2.1-11). No entanto a fim de embasar tal argumento, contra o que alguns podem dizer que tais sinais são apenas uma manifestação do poder de Deus na vida de Jesus, devemos observar a reação dos discípulos perante tais sinais. Quando acalmou a tempestade com a sua palavra, os discípulos indagaram uns aos outro dizendo: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8.27). Da mesma forma, o apóstolo João nos faz a seguinte declaração sobre Jesus após relatar o seu primeiro milagre em Caná da Galiléia: “Com este (milagre), deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2.11). Note que João diz: manifestou a sua glória, e não, manifestou a glória de Deus, dessa forma, podemos perceber, que ao realizar tais sinais, Jesus estava manifestando a sua própria glória , e não a glória de pertencente a outra pessoa, assim, ao intervir na natureza de forma pessoal, Ele estava revelando um dos atributos exclusivos de Deus: a Onipotência.
iii. Onisciência
A onisciência é o atributo divino, no qual Deus tem o poder de conhecer todas as coisas, quer sejam elas compreensíveis ao homem ou não, conforme podemos perceber no seguinte texto: “A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações” (Jr 1.4-5).
Podemos verificar esse atributo divino na pessoa de Jesus em passagens que nos revelam que Ele conhecia os pensamentos das pessoas (Mc 2.8), que podia ver ao longe Natanael sob a figueira (Jo 4.8), e que tinha a capacidade de saber “desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo 6.64).
O texto de Jo 6.64, nos revela de uma forma mais nítida a onisciência de Cristo, uma vez que este texto afirma que Ele sabia “quais eram os que não criam”, implicando assim que Jesus tinha a capacidade de distinguir entre a fé e a incredulidade que estava no coração das pessoas. Ainda em seu evangelho, João nos diz que “E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (Jo 2.25), dessa forma, podemos verificar, que Jesus à semelhança de Deus, possuía consigo o atributo divino da Onisciência.
iv. Onipresença
O onipresença é o atributo divino, no qual Deus tem o poder de estar em todos os lugares, em todos os momentos, conforme verificamos no texto: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?
Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, 0 ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139..7-10).
No decorrer de seu ministério, o atributo divino da onipresença de Jesus não é diretamente revelado, mas em duas passagens do evangelho de Mateus, podemos por inferência (indução) a manifestação desse atributo através da seguinte declaração de Jesus aos seus discípulos: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20) e também e sua declaração momentos antes de sua ascensão aos céus: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).
v. Soberania
A Soberania é o atributo divino através do qual Deus se manifesta como o Ser e o Poder Supremo do universo, como podemos perceber pelo seguinte texto: “Aleluia! Louvai o nome do SENHOR; louvai-o, servos do SENHOR, vós que assistis na Casa do SENHOR, nos átrios da casa do nosso Deus. Louvai ao SENHOR, porque o SENHOR é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável. Pois o SENHOR escolheu para si a Jacó e a Israel, para sua possessão. Com efeito, eu sei que o SENHOR é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses. Tudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos. Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus reservatórios”(Sl 135.1-7).
Este atributo divino pode ser percebido na pessoa de Jesus, pelo fato de Ele ter o poder de perdoar pecados (Mc 2.5-7), e também pela famosa introdução de suas declarações: “Em verdade, em verdade, eu vos digo”. Diferentemente dos profetas do Antigo testamento, que ao iniciarem uma declaração profética faziam a célebre declaração: “Assim diz o Senhor”, indicando que suas profecias eram oriundas da autoridade divina, as declarações de Jesus não provinham de uma outra pessoa (no casso o próprio Deus), mas eram fruto de sua própria autoridade. Autoridade esta, que conferia a Jesus a capacidade de: proclamar a lei divina (Mc 12.28-34), resolver disputas legais (Mc 12.13-17; Lc 12.13-21), a debater com escribas (Mc 11.27-33) e até a censurar os líderes religiosos de sua época (Mt 23.13-39)
Bom estudo a todos!!
IV. Sua divindade é declarada pelas obras atribuídas a Ele
Como se não bastasse a evidência da divindade de Cristo revelada pelos títulos atribuídos a Cristo, aos títulos que Jesus atribuía a si mesmo, e as obras por Ele realizadas, a sua divindade também é revelada pelas obras que os apóstolos atribuem a Ele, obras estas que somente Deus poderia fazer, obras como:
i. A criação do universo – Jo 1.1-3,10,11; Cl 1.15-16
Ao escrever sua carta a igreja de colossos no ano de 62 d.C, o apóstolo Paulo faz a primeira declaração apostólica acerca da criação do universo pela pessoa de Jesus, ele declara enfaticamente que “que “nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1.15-16).
Para corroborar o pensamento de Paulo, o apóstolo João, ao escrever o seu evangelho entre os anos de 80 a 95 d.C, ele declara que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.2), ratificando esse pensamento ao dizer que “o mundo foi feito por ele” (Jo 1.10).
ii. A preservação de todas as coisas – Cl 1.17
Ainda em sua carta a igreja de colosso Paulo faz uma fortíssima declaração para apoiar a divindade de Cristo, ele simplesmente afirma que “todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17), atribuindo a pessoa de Jesus a função de manter o equilíbrio do universo, algo que somente o Deus criador de todas as coisas poderia fazer.
iii. Julgar a humanidade – 2 Tm 4.1
Além de atribuir a Cristo a criação do universo e a sua preservação, em sua segunda carta a Timóteo, escrita dias antes de sua morte, o apóstolo Paulo afirma que Cristo“há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino” (2 Tm 4.1), dessa forma, o apóstolo está declarando abertamente Cristo é Divino.
III. Sua divindade é declarada pelos atributos divinos demonstrados por Ele
Como se não bastasse a evidência da divindade de Cristo revelada pelos títulos atribuídos a Cristo, aos títulos que Jesus atribuía a si mesmo, as obras por Ele realizadas, e pelas obras que os apóstolos atribuem a Ele, a divindade de Cristo pode ser percebida pelos atributos divinos apresentados por Ele ao efetuar seus 35 milagres (conforme apresentados no item IV) ao longo de seu ministério de três anos e meio. Portanto, discutiremos aqui, quais atributos divinos são apresentados por Jesus, pelas obras por Ele.
i. Eternidade
A eternidade é o atributo divino, que revela a existência antes de toda a criação, antes de todo o espaço e tempo, conforme podemos ver pela seguinte passagem: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2).
No entanto, ao longo de seu ministério Jesus fez declarações que nos revelam que Ele possuía tal atributo, como por exemplo, em sua declaração aos judeus:”... antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58), ou na sua declaração a João em apocalipse: “Eu sou o Alfa e o Ômega” (Ap 22.13)
Dessa forma, através de tais declarações, podemos perceber que Jesus atribui a si mesmo um dos atributos divinos, o atributo da eternidade.
ii. Onipotência
A onipotência é o atributo exclusivo de Deus, que lhe confere poder absoluto sobre todas as coisas, como podemos verificar no seguinte texto do profeta Amós: “Porque é ele quem forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual é o seu pensamento; e faz da manhã trevas e pisa os altos da terra; SENHOR, Deus dos Exércitos, é o seu nome” (Am 4.13).
Ao longo de seu ministério, Jesus demonstrou este atributo divino principalmente em suas 9 intervenções sobre a natureza (Cf. discussão no item IV). Por exemplo, quando Jesus acalmou a tempestade no mar com apenas uma palavra (Mt 8.26-27), quando multiplicou pães e peixes (Mt 14.19) ou quando transformou água em vinho (Jo 2.1-11). No entanto a fim de embasar tal argumento, contra o que alguns podem dizer que tais sinais são apenas uma manifestação do poder de Deus na vida de Jesus, devemos observar a reação dos discípulos perante tais sinais. Quando acalmou a tempestade com a sua palavra, os discípulos indagaram uns aos outro dizendo: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8.27). Da mesma forma, o apóstolo João nos faz a seguinte declaração sobre Jesus após relatar o seu primeiro milagre em Caná da Galiléia: “Com este (milagre), deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2.11). Note que João diz: manifestou a sua glória, e não, manifestou a glória de Deus, dessa forma, podemos perceber, que ao realizar tais sinais, Jesus estava manifestando a sua própria glória , e não a glória de pertencente a outra pessoa, assim, ao intervir na natureza de forma pessoal, Ele estava revelando um dos atributos exclusivos de Deus: a Onipotência.
iii. Onisciência
A onisciência é o atributo divino, no qual Deus tem o poder de conhecer todas as coisas, quer sejam elas compreensíveis ao homem ou não, conforme podemos perceber no seguinte texto: “A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações” (Jr 1.4-5).
Podemos verificar esse atributo divino na pessoa de Jesus em passagens que nos revelam que Ele conhecia os pensamentos das pessoas (Mc 2.8), que podia ver ao longe Natanael sob a figueira (Jo 4.8), e que tinha a capacidade de saber “desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo 6.64).
O texto de Jo 6.64, nos revela de uma forma mais nítida a onisciência de Cristo, uma vez que este texto afirma que Ele sabia “quais eram os que não criam”, implicando assim que Jesus tinha a capacidade de distinguir entre a fé e a incredulidade que estava no coração das pessoas. Ainda em seu evangelho, João nos diz que “E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (Jo 2.25), dessa forma, podemos verificar, que Jesus à semelhança de Deus, possuía consigo o atributo divino da Onisciência.
iv. Onipresença
O onipresença é o atributo divino, no qual Deus tem o poder de estar em todos os lugares, em todos os momentos, conforme verificamos no texto: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?
Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, 0 ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139..7-10).
No decorrer de seu ministério, o atributo divino da onipresença de Jesus não é diretamente revelado, mas em duas passagens do evangelho de Mateus, podemos por inferência (indução) a manifestação desse atributo através da seguinte declaração de Jesus aos seus discípulos: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20) e também e sua declaração momentos antes de sua ascensão aos céus: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).
v. Soberania
A Soberania é o atributo divino através do qual Deus se manifesta como o Ser e o Poder Supremo do universo, como podemos perceber pelo seguinte texto: “Aleluia! Louvai o nome do SENHOR; louvai-o, servos do SENHOR, vós que assistis na Casa do SENHOR, nos átrios da casa do nosso Deus. Louvai ao SENHOR, porque o SENHOR é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável. Pois o SENHOR escolheu para si a Jacó e a Israel, para sua possessão. Com efeito, eu sei que o SENHOR é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses. Tudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos. Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus reservatórios”(Sl 135.1-7).
Este atributo divino pode ser percebido na pessoa de Jesus, pelo fato de Ele ter o poder de perdoar pecados (Mc 2.5-7), e também pela famosa introdução de suas declarações: “Em verdade, em verdade, eu vos digo”. Diferentemente dos profetas do Antigo testamento, que ao iniciarem uma declaração profética faziam a célebre declaração: “Assim diz o Senhor”, indicando que suas profecias eram oriundas da autoridade divina, as declarações de Jesus não provinham de uma outra pessoa (no casso o próprio Deus), mas eram fruto de sua própria autoridade. Autoridade esta, que conferia a Jesus a capacidade de: proclamar a lei divina (Mc 12.28-34), resolver disputas legais (Mc 12.13-17; Lc 12.13-21), a debater com escribas (Mc 11.27-33) e até a censurar os líderes religiosos de sua época (Mt 23.13-39)
A divindade de Cristo - 2º Parte
Anteriormente vimos que a divindade de Cristo pode ser comprovada pelos títulos a Ele conferidos pelas Escrituras, no entanto, a bíblia nos fornece inúmeros outros argumentos que nos possibilitam defender este importante aspecto da doutrina de Cristo.
Veremos agora que a divindade de Cristo pode ser comprovada por outros dois fatores: pelos títulos que Cristo atribui a si mesmo, bem como pelas obras realizadas por Ele.
II. A divindade de Cristo é declarada pelos títulos que Ele atribui a si mesmo
E importante verificarmos que a divindade de Cristo não só é revelado pelos títulos atribuídos a Ele, como também através dos títulos que Ele atribui a si mesmo. As escrituras nos fornecem os seguintes títulos que Jesus atribui a si mesmo:
i. Filho do Homem
De todos os títulos utilizados por Jesus para referir-se a si mesmo, é o título que aparece com mais freqüência no NT, ocorrendo oitenta e quatro vezes nos quatro evangelhos. No entanto, este título é usado apenas por Jesus, para referir-se a si mesmo. Este faz referência à visão do capitulo 7 de Daniel, em que está escrito: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Dn 7.13-14).
ii. EU SOU – Jo 8.58
De todos os títulos utilizados por Jesus para referir-se a si mesmo, talvez esse seja o mais forte e significativo título utilizado por Ele, que nos revela sua divindade.
Certa vez, ao afirmar aos seus opositores que Abraão havia visto o seu dia (o dia de Cristo), eles o contestaram dizendo: “Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão?” (Jo 8.57).Como resposta, Jesus fez uma afirmação clara e objetiva, que revelava a sua divindade aos seus adversários. Ele se utiliza das palavras pronunciadas por Deus para se identificar a Moisés: “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3.14), fazendo a seguinte declaração: “Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58). Ao fazer essa declaração, Jesus simplesmente se equiparou ao próprio Deus de Israel, o que causou a revolta dos judeus que “pegaram em pedras para atirarem nele” tendo como resultado a saída de Jesus do templo (Jo 8.59).
iii. O Alfa e o Ômega – Ap 22.13
Outra forte evidência da divindade de Cristo, encontra-se no final do livro de Apocalipse, onde Jesus faz a seguinte declaração: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22.13). No entanto, vemos a mesma declaração no início do mesmo livro, onde Deus Pai faz a seguinte afirmação: “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). Ao compararmos a declaração de Deus Pai contida em Ap 1.8 com a declaração de Cristo em Ap 22.13, vemos uma forte evidência da divindade de Cristo, que em total e completa semelhança com Deus Pai, é Soberano sobre toda a história e sobre toda a criação.
III. Sua divindade é declarada pelas obras realizadas por Ele
Além de verificarmos a divindade de Cristo através dos títulos atribuídos à Cristo, e os títulos por Ele utilizados, as escrituras nos declaram a divindade de Cristo pelas obras por Ele realizadas. Obras estas que somente Deus poderia fazer.
i. Perdoar pecados
Os evangelhos nos fornecem dois incidentes distintos em que Jesus faz uma declaração que somente Deus poderia fazer, nesses incidentes podemos ver Jesus perdoando pecados.
Quando um paralítico de nascença foi trazido à presença de Jesus (Mt 9.1-8; Mc 2.1-12; Lc 5.17-26), Ele faz a seguinte declaração: “Filho, tem bom ânimo, perdoados te são os teus pecados” (Mt 9.2; Mc 2.5; Lc 5.20). Num outro momento, estando Jesus visitando a casa de um fariseu chamado Simão (Lc 7.36-50), uma mulher reconhecidamente pecadora (provavelmente uma prostituta), interrompe a reunião daquela casa para, chorando, ungir e beijar os pés de Jesus. Ao ver tamanho amor e dedicação, Jesus faz a seguinte pergunta ao anfitrião daquela casa: “Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais? E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem” (Lc 7.40-43), após a resposta de Simão, Jesus se volta para a mulher e lhe diz: “Os teus pecados te são perdoados” (Lc 7.48).
Ao perdoar os pecados do paralítico e da mulher pecadora, Jesus está realizando algo que somente Deus poderia fazer: perdoar pecados, como podemos perceber na declaração dos judeus ao ouvirem Jesus perdoar os pecados do paralítico: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Mc 2.7).
Assim, por perdoar pecados, podemos verificar que verdadeiramente Jesus era divino.
ii. Curar enfermidades
Os quatro evangelhos nos fornecem 16 curas realizadas por Jesus. Nesses livros, verifica-se que o Senhor curou: leprosos, paralíticos, cegos, surdos, mudos, surdos e toda a sorte de doenças. Em todos esses milagres, podemos perceber que Jesus era “cheio do Espírito Santo”, mas em um milagre em especial, podemos perceber a divindade de Jesus.
Em seu evangelho, o apóstolo João, nos fornece um milagre que marcou a vida de todos os discípulos de Jesus, milagre este, nunca realizado antes na historia da humanidade, como podemos ler na seguinte passagem:
“E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo” (Jo 9.1-7).
Ao curar este cego de nascença, Jesus fez algo que apenas Deus poderia fazer. Era sabido por todos os judeus, que “desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença” (Jo 9.32), dessa forma, ao curar esse homem, Jesus estava revelando, ainda que de forma velada, a sua divindade, pois Ele havia feito algo que somente Deus poderia fazer.
iii. Expulsar demônios
Além de relatar 16 curas operadas por Jesus, os evangelhos também nos relatam 7 libertações (expulsão de demônios) realizadas por Jesus. Em duas dessas libertações, podemos notar que Jesus possuía total autoridade sobre os demônios.
Os evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) nos relatam um fato ocorrido no segundo ano do ministério de Jesus, que ao chegar à cidade de Genesaré, sai ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; que tinha feito sua morada no cemitério, sendo ele portador de tamanha força que ninguém o podia manter preso, e que permanecia de dia e noite clamando pelos montes.
Ao ver que Jesus havia chegado, este homem, possesso de uma legião de demônios (seis mil) correu até Ele e o adorou dizendo: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Mc 5.6-7). Ao ver aquele homem possesso, Jesus manifestou a sua natureza divina, ao permitir àqueles demônios se retirarem daquele homem e entrarem numa manada de porcos. Como podemos verificar no relato de Marcos:
“E chegaram ao outro lado do mar, à província dos gadarenos. E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender; Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras. E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.) E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província. E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar” (Mc 5.1-13).
Em um outro momento, ao retornar do monte em que havia se transfigurado aos discípulos (Mc 9.1-10), Jesus ao ver os escribas discutirem com seus discípulos, fica sabendo que aquela discussão estava ocorrendo pelo fato de os seus discípulos não terem conseguido expulsar um demônio que atormentava um menino desde a sua infância. A pedido de Jesus, o menino lhe é trazido, e logo o demônio é repreendido, conforme registrado no seguinte texto:
“E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo; E este, onde quer que o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam. E ele, respondendo-lhes, disse: O geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo. E trouxeram-lho; e quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando. E perguntou ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infância. E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos. E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade. E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele. E ele, clamando, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto. Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou” (Mc 9.17-29)
Conforme pudemos verificar nesse dois relatos, vemos que os demônios se submeteram totalmente a palavra de Jesus, não importando qual fosse a sua força (o homem de Gadara), ou o tempo que ele estava atormentando uma vida (o jovem possesso). Dessa forma, é possível notar a divindade de Cristo, pois somente Deus possui tamanha autoridade sobre seres espirituais, como os demônios.
iv. Controlar a natureza
Além de relatar 16 curas e 7 libertações operadas por Jesus, os evangelhos também nos fornecem 9 intervenções diretas de Jesus sobre a natureza. Nesses relatos, podemos ver Jesus: acalmando a tempestade (Mt 8.23-27; Mc 4.37-41; Lc 8.22-25), andando por sobre o mar (Mt 14.25; Mc 6.48-51; Jo 6.9-21), alimentando cinco mil (Mt 14.15-21; Mc 6.48-51; Lc 9.12-17;Jo 6.5-13) e a quatro mil pessoas (Mt 15.32-38; Mc 8.1-9), fazendo aparecer uma moeda na boca de um peixe (Mt 17.24-27), condenando uma figueira à morte (Mt 21.18-22; Mc 11.12-14, 20-25), fazendo aparecer peixes por duas vezes (Lc 5.4-11;Jo 21.1-11) e transformando água em vinho (Jo 2.1-11).
Desses milagres, talvez o que mais nos chama a atenção para a natureza divina de Jesus, encontra-se registrado na seguinte passagem:
“Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.37-41)
Nesse texto, podemos ver Jesus revelando de forma clara e objetiva, uma natureza divina, pois ele demonstrou possuir total controle sobre a natureza, uma vez que sob a suas ordens, vento e mar se acalmaram, algo que somente o “Senhor Altíssimo, o grande rei de toda a terra” (Sl 47.2) poderia fazer (Cf. Sl 65.7; 89.9; 107.29).
v. Ressuscitar os mortos
Além de relatar 16 curas, 7 libertações, 9 intervenções sobre a natureza, os evangelhos também nos fornecem 3 ressurreições efetuadas por Jesus durante de seu ministério: a filha de Jairo (Mt 9.18,19, 23-25; Mc 5.22-24,38-42; Lc 8.41,42,49-56), o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-15) e Lázaro (Jo 11.1-44).
Em todos esses textos, podemos perceber, ainda que de forma velada, a revelação acerca da divindade de Cristo, uma vez que suas ordens eram atendidas até por aqueles que haviam falecido, como podemos notar no seguinte relato:
“Pouco tempo depois Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Os seus discípulos e uma grande multidão foram com ele. Quando ele estava chegando perto do portão da cidade, ia saindo um enterro. O defunto era filho único de uma viúva, e muita gente da cidade ia com ela. Quando o Senhor a viu, ficou com muita pena dela e disse: Não chore. Então ele chegou mais perto e tocou no caixão. E os que o estavam carregando pararam. Então Jesus disse:Moço, eu ordeno a você: levante-se! O moço sentou-se no caixão e começou a falar, e Jesus o entregou à mãe” (Lc 7.11-15).
Veremos agora que a divindade de Cristo pode ser comprovada por outros dois fatores: pelos títulos que Cristo atribui a si mesmo, bem como pelas obras realizadas por Ele.
II. A divindade de Cristo é declarada pelos títulos que Ele atribui a si mesmo
E importante verificarmos que a divindade de Cristo não só é revelado pelos títulos atribuídos a Ele, como também através dos títulos que Ele atribui a si mesmo. As escrituras nos fornecem os seguintes títulos que Jesus atribui a si mesmo:
i. Filho do Homem
De todos os títulos utilizados por Jesus para referir-se a si mesmo, é o título que aparece com mais freqüência no NT, ocorrendo oitenta e quatro vezes nos quatro evangelhos. No entanto, este título é usado apenas por Jesus, para referir-se a si mesmo. Este faz referência à visão do capitulo 7 de Daniel, em que está escrito: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Dn 7.13-14).
ii. EU SOU – Jo 8.58
De todos os títulos utilizados por Jesus para referir-se a si mesmo, talvez esse seja o mais forte e significativo título utilizado por Ele, que nos revela sua divindade.
Certa vez, ao afirmar aos seus opositores que Abraão havia visto o seu dia (o dia de Cristo), eles o contestaram dizendo: “Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão?” (Jo 8.57).Como resposta, Jesus fez uma afirmação clara e objetiva, que revelava a sua divindade aos seus adversários. Ele se utiliza das palavras pronunciadas por Deus para se identificar a Moisés: “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3.14), fazendo a seguinte declaração: “Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58). Ao fazer essa declaração, Jesus simplesmente se equiparou ao próprio Deus de Israel, o que causou a revolta dos judeus que “pegaram em pedras para atirarem nele” tendo como resultado a saída de Jesus do templo (Jo 8.59).
iii. O Alfa e o Ômega – Ap 22.13
Outra forte evidência da divindade de Cristo, encontra-se no final do livro de Apocalipse, onde Jesus faz a seguinte declaração: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22.13). No entanto, vemos a mesma declaração no início do mesmo livro, onde Deus Pai faz a seguinte afirmação: “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). Ao compararmos a declaração de Deus Pai contida em Ap 1.8 com a declaração de Cristo em Ap 22.13, vemos uma forte evidência da divindade de Cristo, que em total e completa semelhança com Deus Pai, é Soberano sobre toda a história e sobre toda a criação.
III. Sua divindade é declarada pelas obras realizadas por Ele
Além de verificarmos a divindade de Cristo através dos títulos atribuídos à Cristo, e os títulos por Ele utilizados, as escrituras nos declaram a divindade de Cristo pelas obras por Ele realizadas. Obras estas que somente Deus poderia fazer.
i. Perdoar pecados
Os evangelhos nos fornecem dois incidentes distintos em que Jesus faz uma declaração que somente Deus poderia fazer, nesses incidentes podemos ver Jesus perdoando pecados.
Quando um paralítico de nascença foi trazido à presença de Jesus (Mt 9.1-8; Mc 2.1-12; Lc 5.17-26), Ele faz a seguinte declaração: “Filho, tem bom ânimo, perdoados te são os teus pecados” (Mt 9.2; Mc 2.5; Lc 5.20). Num outro momento, estando Jesus visitando a casa de um fariseu chamado Simão (Lc 7.36-50), uma mulher reconhecidamente pecadora (provavelmente uma prostituta), interrompe a reunião daquela casa para, chorando, ungir e beijar os pés de Jesus. Ao ver tamanho amor e dedicação, Jesus faz a seguinte pergunta ao anfitrião daquela casa: “Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais? E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem” (Lc 7.40-43), após a resposta de Simão, Jesus se volta para a mulher e lhe diz: “Os teus pecados te são perdoados” (Lc 7.48).
Ao perdoar os pecados do paralítico e da mulher pecadora, Jesus está realizando algo que somente Deus poderia fazer: perdoar pecados, como podemos perceber na declaração dos judeus ao ouvirem Jesus perdoar os pecados do paralítico: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Mc 2.7).
Assim, por perdoar pecados, podemos verificar que verdadeiramente Jesus era divino.
ii. Curar enfermidades
Os quatro evangelhos nos fornecem 16 curas realizadas por Jesus. Nesses livros, verifica-se que o Senhor curou: leprosos, paralíticos, cegos, surdos, mudos, surdos e toda a sorte de doenças. Em todos esses milagres, podemos perceber que Jesus era “cheio do Espírito Santo”, mas em um milagre em especial, podemos perceber a divindade de Jesus.
Em seu evangelho, o apóstolo João, nos fornece um milagre que marcou a vida de todos os discípulos de Jesus, milagre este, nunca realizado antes na historia da humanidade, como podemos ler na seguinte passagem:
“E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo” (Jo 9.1-7).
Ao curar este cego de nascença, Jesus fez algo que apenas Deus poderia fazer. Era sabido por todos os judeus, que “desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença” (Jo 9.32), dessa forma, ao curar esse homem, Jesus estava revelando, ainda que de forma velada, a sua divindade, pois Ele havia feito algo que somente Deus poderia fazer.
iii. Expulsar demônios
Além de relatar 16 curas operadas por Jesus, os evangelhos também nos relatam 7 libertações (expulsão de demônios) realizadas por Jesus. Em duas dessas libertações, podemos notar que Jesus possuía total autoridade sobre os demônios.
Os evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) nos relatam um fato ocorrido no segundo ano do ministério de Jesus, que ao chegar à cidade de Genesaré, sai ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; que tinha feito sua morada no cemitério, sendo ele portador de tamanha força que ninguém o podia manter preso, e que permanecia de dia e noite clamando pelos montes.
Ao ver que Jesus havia chegado, este homem, possesso de uma legião de demônios (seis mil) correu até Ele e o adorou dizendo: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Mc 5.6-7). Ao ver aquele homem possesso, Jesus manifestou a sua natureza divina, ao permitir àqueles demônios se retirarem daquele homem e entrarem numa manada de porcos. Como podemos verificar no relato de Marcos:
“E chegaram ao outro lado do mar, à província dos gadarenos. E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender; Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras. E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.) E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província. E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar” (Mc 5.1-13).
Em um outro momento, ao retornar do monte em que havia se transfigurado aos discípulos (Mc 9.1-10), Jesus ao ver os escribas discutirem com seus discípulos, fica sabendo que aquela discussão estava ocorrendo pelo fato de os seus discípulos não terem conseguido expulsar um demônio que atormentava um menino desde a sua infância. A pedido de Jesus, o menino lhe é trazido, e logo o demônio é repreendido, conforme registrado no seguinte texto:
“E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo; E este, onde quer que o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam. E ele, respondendo-lhes, disse: O geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo. E trouxeram-lho; e quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando. E perguntou ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infância. E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos. E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade. E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele. E ele, clamando, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto. Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou” (Mc 9.17-29)
Conforme pudemos verificar nesse dois relatos, vemos que os demônios se submeteram totalmente a palavra de Jesus, não importando qual fosse a sua força (o homem de Gadara), ou o tempo que ele estava atormentando uma vida (o jovem possesso). Dessa forma, é possível notar a divindade de Cristo, pois somente Deus possui tamanha autoridade sobre seres espirituais, como os demônios.
iv. Controlar a natureza
Além de relatar 16 curas e 7 libertações operadas por Jesus, os evangelhos também nos fornecem 9 intervenções diretas de Jesus sobre a natureza. Nesses relatos, podemos ver Jesus: acalmando a tempestade (Mt 8.23-27; Mc 4.37-41; Lc 8.22-25), andando por sobre o mar (Mt 14.25; Mc 6.48-51; Jo 6.9-21), alimentando cinco mil (Mt 14.15-21; Mc 6.48-51; Lc 9.12-17;Jo 6.5-13) e a quatro mil pessoas (Mt 15.32-38; Mc 8.1-9), fazendo aparecer uma moeda na boca de um peixe (Mt 17.24-27), condenando uma figueira à morte (Mt 21.18-22; Mc 11.12-14, 20-25), fazendo aparecer peixes por duas vezes (Lc 5.4-11;Jo 21.1-11) e transformando água em vinho (Jo 2.1-11).
Desses milagres, talvez o que mais nos chama a atenção para a natureza divina de Jesus, encontra-se registrado na seguinte passagem:
“Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.37-41)
Nesse texto, podemos ver Jesus revelando de forma clara e objetiva, uma natureza divina, pois ele demonstrou possuir total controle sobre a natureza, uma vez que sob a suas ordens, vento e mar se acalmaram, algo que somente o “Senhor Altíssimo, o grande rei de toda a terra” (Sl 47.2) poderia fazer (Cf. Sl 65.7; 89.9; 107.29).
v. Ressuscitar os mortos
Além de relatar 16 curas, 7 libertações, 9 intervenções sobre a natureza, os evangelhos também nos fornecem 3 ressurreições efetuadas por Jesus durante de seu ministério: a filha de Jairo (Mt 9.18,19, 23-25; Mc 5.22-24,38-42; Lc 8.41,42,49-56), o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-15) e Lázaro (Jo 11.1-44).
Em todos esses textos, podemos perceber, ainda que de forma velada, a revelação acerca da divindade de Cristo, uma vez que suas ordens eram atendidas até por aqueles que haviam falecido, como podemos notar no seguinte relato:
“Pouco tempo depois Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Os seus discípulos e uma grande multidão foram com ele. Quando ele estava chegando perto do portão da cidade, ia saindo um enterro. O defunto era filho único de uma viúva, e muita gente da cidade ia com ela. Quando o Senhor a viu, ficou com muita pena dela e disse: Não chore. Então ele chegou mais perto e tocou no caixão. E os que o estavam carregando pararam. Então Jesus disse:Moço, eu ordeno a você: levante-se! O moço sentou-se no caixão e começou a falar, e Jesus o entregou à mãe” (Lc 7.11-15).
A divindade de Cristo - 1º Parte
Se por um lado à natureza humana de Cristo é importante para a Cristologia, por outro lado, sua natureza divina é de vital importância para qualquer estudante da vida do Senhor. Tal conhecimento é necessário para todo o cristão, uma vez que é dever de todo discípulo de Jesus possuir a capacidade de defender a sua fé quando questionado por incrédulos acerca “da esperança que há em vós” (1 Pe 3.13), e também para diferenciarmos a pessoa de Jesus da pessoa de tantos outros líderes religiosos que passaram pela história da humanidade.
Ao longo dos séculos, incontáveis heresias têm se levantado para apresentar um Jesus diferente do encontrado nas Sagradas Escrituras.Dessa forma, torna-se de suma importância para a defesa da genuína fé cristã, não só o conhecimento acerca da natureza humana de Cristo, mas também o conhecimento acerca de sua natureza divina.
O novo testamento possui inúmeros textos que declaram de forma direta ou indireta a questão da divindade absoluta de Cristo (em divindade absoluta queremos dizer que enquanto esteve vivendo na terra, Jesus era inteiramente homem e inteiramente Deus), dessa maneira, verificaremos tais evidências de várias formas.
I. Sua divindade é declarada pelos títulos atribuídos a Ele
i. Ele é chamado pela palavra Deus (theos)
A via de regra a palavra grega theos (Deus) é utilizada para referir-se a Deus Pai, no entanto, vemos em pelo menos sete passagens do novo testamento em que tal palavra é empregada para referir-se a Jesus Cristo. Tais passagens são:
João 1.1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”
Jo 1.18: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.
Jo 20.27- 28: ‘E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. 28 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!”’
Rm 9.5: “deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!”
Tt 2.13-14: “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.
Hb 1.8: “mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de eqüidade é o cetro do seu reino”.
2 Pe 1.1: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”
ii. Ele é chamado pela palavra Senhor (Kyrios)
A palavra grega kyrios, traduzida por senhor, pode ser empregada de várias formas: 1.usada como um tratamento respeitoso dispensado a um superior (Mt 13.27; 21.30;21.30; 27.63; Jo 4.11); 2.para significar patrão (Mt 6.24; 21.40). No entanto, tal palavra é usada na Septuaginta (tradução grega do AT, muito difundida na época de Cristo) como uma tradução do hebraico YHWH (Javé ou Jeová), sendo freqüentemente traduzido por “Senhor” ou Jeová. Por ser usada 6.814 vezes para referir-se ao nome de Deus no AT, esta palavra torna-se um dos principais títulos referentes a Jeová, e assim, em contextos apropriados, qualquer judeu do primeiro século reconheceria que a palavra “Senhor” referia-se ao nome do Criador e do Mantenedor dos céus e da Terra, o Eterno Deus Jeová.
A palavra Senhor é usada inúmeras vezes para referir-se a pessoa de Jesus, como por exemplo, vemos a saudação de Isabel (que estava grávida de João Batista) ao receber a visita de Maria, meses antes do nascimento de Jesus: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.42-43); vemos também esta palavra ser empregada a pessoa de Jesus na ocasião do anuncio do seu nascimento pela voz do anjo de Deus aos pastores que estavam em Belém:“E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.9-11) e também vemos o emprego desta palavra, na narração de Mateus acerca da missão de João Batista, como precursor de Jesus Cristo: “Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 1.1-3).
Para ratificar nossos argumentos acima mencionados, podemos citar o fato de que Paulo, talvez um dos principais apóstolos de toda a história da Igreja, emprega esta palavra (Senhor, Kyrios) para referir a Jesus Cristo em várias passagens de suas 13 cartas, como podemos ver nas seguintes passagens: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9); “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Co 1.9); “todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele” (1 Co 8.6); “Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus, senão pelo Espírito Santo” (1 Co 12.3).
Vemos de forma mais clara o emprego da palavra Kyrios (Senhor), no livro de Hebreus, em que o autor ao citar o Sl 102 que trata da obra de Deus na criação e a aplica a Jesus: “Ainda: No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos; eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, todos eles envelhecerão qual veste; também, qual manto, os enrolarás, e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim”(Hb 1.10-12).
Mas talvez a mais importante ocorrência do emprego da palavra Senhor a pessoa de Cristo, ocorre através da boca do próprio Senhor Jesus, que citando o Sl 110.1, Eles questiona os fariseus dizendo: “Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas” (Mt 22.41-46).
Para corroborar nosso argumento sobre a divindade de Cristo revelada através do emprego da palavra Kyrios (Senhor) à pessoa de Jesus, encontra no livro de Apocalipse, onde após o retorno de Jesus à Terra como Rei vencedor, onde vemos a seguinte declaração:
“Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.11-16).
iii. Ele é chamado de Filho de Deus
De todos os nomes atribuídos à pessoa de Jesus, talvez este título seja o que revela com maior precisão a verdade acerca da natureza divina de Cristo, e o seu verdadeiro significado. É bem verdade que este titulo possa as vezes ser simplesmente empregado para referir-se a Israel (Mt 2.15), ao homem criado por Deus (Lc 2.38) ou ao homem regenerado (Rm 8.14, 19,23), mas no entanto, existe casos em que este nome se refere a Jesus, como sendo o Filho celestial eterno igual ao próprio Deus (Mt 11.25,30; 17.5;1 Co 15.28; Hb 1.1-3,5,8). Mas é no evangelho de João que esta idéia e melhor desenvolvida, nos revelando que Jesus é o filho singular do Pai (Jo 1.14,18,34,49), que nos revela plenamente o Pai (Jo 8.19; 14.9), que também nos possibilita a vida eterna (Jo 3.16; 5.20-22,25; 10.17; 16.15) e como Filho, Ele já existia antes da fundação do mundo (Jo 3.37; 5.23; 10.36).
Continua......
Por missº Felipe
Ao longo dos séculos, incontáveis heresias têm se levantado para apresentar um Jesus diferente do encontrado nas Sagradas Escrituras.Dessa forma, torna-se de suma importância para a defesa da genuína fé cristã, não só o conhecimento acerca da natureza humana de Cristo, mas também o conhecimento acerca de sua natureza divina.
O novo testamento possui inúmeros textos que declaram de forma direta ou indireta a questão da divindade absoluta de Cristo (em divindade absoluta queremos dizer que enquanto esteve vivendo na terra, Jesus era inteiramente homem e inteiramente Deus), dessa maneira, verificaremos tais evidências de várias formas.
I. Sua divindade é declarada pelos títulos atribuídos a Ele
i. Ele é chamado pela palavra Deus (theos)
A via de regra a palavra grega theos (Deus) é utilizada para referir-se a Deus Pai, no entanto, vemos em pelo menos sete passagens do novo testamento em que tal palavra é empregada para referir-se a Jesus Cristo. Tais passagens são:
João 1.1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”
Jo 1.18: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.
Jo 20.27- 28: ‘E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. 28 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!”’
Rm 9.5: “deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!”
Tt 2.13-14: “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.
Hb 1.8: “mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de eqüidade é o cetro do seu reino”.
2 Pe 1.1: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”
ii. Ele é chamado pela palavra Senhor (Kyrios)
A palavra grega kyrios, traduzida por senhor, pode ser empregada de várias formas: 1.usada como um tratamento respeitoso dispensado a um superior (Mt 13.27; 21.30;21.30; 27.63; Jo 4.11); 2.para significar patrão (Mt 6.24; 21.40). No entanto, tal palavra é usada na Septuaginta (tradução grega do AT, muito difundida na época de Cristo) como uma tradução do hebraico YHWH (Javé ou Jeová), sendo freqüentemente traduzido por “Senhor” ou Jeová. Por ser usada 6.814 vezes para referir-se ao nome de Deus no AT, esta palavra torna-se um dos principais títulos referentes a Jeová, e assim, em contextos apropriados, qualquer judeu do primeiro século reconheceria que a palavra “Senhor” referia-se ao nome do Criador e do Mantenedor dos céus e da Terra, o Eterno Deus Jeová.
A palavra Senhor é usada inúmeras vezes para referir-se a pessoa de Jesus, como por exemplo, vemos a saudação de Isabel (que estava grávida de João Batista) ao receber a visita de Maria, meses antes do nascimento de Jesus: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.42-43); vemos também esta palavra ser empregada a pessoa de Jesus na ocasião do anuncio do seu nascimento pela voz do anjo de Deus aos pastores que estavam em Belém:“E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.9-11) e também vemos o emprego desta palavra, na narração de Mateus acerca da missão de João Batista, como precursor de Jesus Cristo: “Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 1.1-3).
Para ratificar nossos argumentos acima mencionados, podemos citar o fato de que Paulo, talvez um dos principais apóstolos de toda a história da Igreja, emprega esta palavra (Senhor, Kyrios) para referir a Jesus Cristo em várias passagens de suas 13 cartas, como podemos ver nas seguintes passagens: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9); “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Co 1.9); “todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele” (1 Co 8.6); “Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus, senão pelo Espírito Santo” (1 Co 12.3).
Vemos de forma mais clara o emprego da palavra Kyrios (Senhor), no livro de Hebreus, em que o autor ao citar o Sl 102 que trata da obra de Deus na criação e a aplica a Jesus: “Ainda: No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos; eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, todos eles envelhecerão qual veste; também, qual manto, os enrolarás, e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim”(Hb 1.10-12).
Mas talvez a mais importante ocorrência do emprego da palavra Senhor a pessoa de Cristo, ocorre através da boca do próprio Senhor Jesus, que citando o Sl 110.1, Eles questiona os fariseus dizendo: “Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas” (Mt 22.41-46).
Para corroborar nosso argumento sobre a divindade de Cristo revelada através do emprego da palavra Kyrios (Senhor) à pessoa de Jesus, encontra no livro de Apocalipse, onde após o retorno de Jesus à Terra como Rei vencedor, onde vemos a seguinte declaração:
“Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.11-16).
iii. Ele é chamado de Filho de Deus
De todos os nomes atribuídos à pessoa de Jesus, talvez este título seja o que revela com maior precisão a verdade acerca da natureza divina de Cristo, e o seu verdadeiro significado. É bem verdade que este titulo possa as vezes ser simplesmente empregado para referir-se a Israel (Mt 2.15), ao homem criado por Deus (Lc 2.38) ou ao homem regenerado (Rm 8.14, 19,23), mas no entanto, existe casos em que este nome se refere a Jesus, como sendo o Filho celestial eterno igual ao próprio Deus (Mt 11.25,30; 17.5;1 Co 15.28; Hb 1.1-3,5,8). Mas é no evangelho de João que esta idéia e melhor desenvolvida, nos revelando que Jesus é o filho singular do Pai (Jo 1.14,18,34,49), que nos revela plenamente o Pai (Jo 8.19; 14.9), que também nos possibilita a vida eterna (Jo 3.16; 5.20-22,25; 10.17; 16.15) e como Filho, Ele já existia antes da fundação do mundo (Jo 3.37; 5.23; 10.36).
Continua......
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