A humanidade de Cristo - 3º Parte

Razões para a encarnação de Cristo

Vimos anteriormente, os motivos para a concepção virginal do Salvador, assim como as evidências bíblicas para a alegação cristã de que Cristo era plenamente homem. Mas mediante esses fatos, fica-nos uma pergunta: por que o salvador da humanidade, deveria se encarnar em forma humana? Mediante essa indagação e analisando os diversos textos bíblicos que fundamentam a doutrina de Cristo, podemos destacar diversos motivos para que a encarnação de Cristo ocorresse.

Sendo assim, abordaremos agora o terceiro aspecto de suma importância para a Cristologia, trataremos sobre as razões que levaram um ser Divino, a tomar a forma de homem e habitasse entre nós (Fp 2.6-7). Analisando os inúmeros textos bíblicos acerca de Jesus, chegamos à conclusão que a encarnação de Cristo ocorreu por 9 nove motivos, os quais trataremos a seguir.

I. Para revelar Deus à humanidade
Ao longo dos séculos, Deus tem se revelado à humanidade de diversas maneiras, Ele tem se revelado através: da criação (Sl 19.1-6; Rm 1.18-32); através da ordem do universo (Sl 19.2; At 14.15-18); pela criação do homem (Sl 94.9) e pela idéia universal da existência do Divino.

No entanto, foi com a encarnação de Cristo, que a humanidade pode enfim conhecer, ainda que de maneira velada (Jo 1.18; 14.7-11) a essência da natureza do criador de coisas as coisas.
Jesus é o único meio disponível ao homem de conhecer a Deus e as suas grandezas, e a maneira pra conhecer a Cristo nos nossos dias é estudar o registro de sua vida nas escrituras. Podemos perceber a importância de conhecer a Cristo, através das palavras do próprio Senhor aos seus discípulos momentos antes de sua prisão no Getsêmani: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14.9)

II. Para dar um exemplo de vida
Em uma de suas três cartas universais, o apóstolo João nos diz: ”E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 Jo 2.6).Assim, ao analisarmos as palavras do apóstolo que fora o mais amado pelo Senhor entre os doze, podemos perceber que além de revelar o caráter de Deus à humanidade, a encarnação de Cristo também serviu para que o homem tivesse um padrão de vida a ser seguido. O mesmo apóstolo nos informa: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser.

Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 Jo 3.2-3). Através desse texto, podemos notar que através da esperança de nos tornarmos semelhantes a Cristo, na ocasião do arrebatamento, podemos obter uma pureza cada vez maior à nossa vida.

Como homem, Jesus deu-nos um exemplo de conduta e moral que devemos ter se quisermos agradar ao Pai, e como Deus, Ele nos capacita a seguir o seu exemplo de vida, através da operação do Espírito Santo, como nos informa o apóstolo Paulo: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2 Co 3.18)

Como discípulos de Cristo, devemos ter a consciência de que Deus nos escolheu para que, conforme seguíssemos a Cristo, nos moldássemos “conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29).Nossa conduta deve ser moldada na de Cristo, também nos momentos de sofrimento, como nos exorta o apóstolo Pedro: “Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1 Pe 2.21).Ao longo de nossa vida, devemos correr a carreira colocada diante de nós “olhando firmemente para o Autor e consumador da fé, Jesus” (Hb 12.2), tendo em mente que, no momento em que ficarmos desanimados em conseqüência da aposição dos pecadores, devemos considerar atentamente “ naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo”(Hb 12.3).No entanto, além de seguir o padrão de vida estabelecido por Cristo ao longo da nossa caminhada cristã, o apóstolo Paulo nos exorta a seguir o exemplo de Cristo, nos conformando “com ele na sua morte” (Fp 3.10).

III. Para prover um sacrifício efetivo pelo pecado
Em sua carta universal, o apóstolo Tiago nos ensina que a conseqüência pela prática do pecado é a morte espiritual do homem: “Mas cada um é tentado, quando atraído é seduzido pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.14-15).No entanto, em sua carta aos Romanos,o apóstolo Paulo nos ensina, que toda a humanidade está debaixo do domínio do pecado: “Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” (Rm 3.9-10).

Quando Deus chamou a Israel para ser seu povo, Ele lhes deu por intermédio de Moisés, uma série de leis e rituais, que serviriam para manter o povo firme nos propósitos de Deus. Entre esses rituais, havia aquele que serviria para purificar o povo de todos os seus pecados uma vez a cada ano, como podemos ver nos capítulos 5 a 7 do livro de Levítico. No entanto, conforme nos ensina o escritor de Hebreus, os sacrifícios realizados no Antigo Testamento eram apenas alegorias do sacrifício de Cristo (Hb 9.6-10), pelo fato de que o único modo de o ser humano expiar completamente os seus pecados, era se ele sofresse eternamente a penalidade que o pecado exigia. Visto que o ser humano seria incapaz de cumprir tal exigência, Deus providenciou um vigário, um substituto, capaz de satisfazer tal exigência, de uma forma completa e definitiva, como nos ensina o autor da carta aos Hebreus: “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, {os} santificam, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? E, por isso, é Mediador de um novo testamento, {ou pacto} para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” (Hb 9.11-15).

Assim, a importância da encarnação de Cristo, consiste no fato de que através da perfeita humanidade de Jesus e da sua vida irrepreensível aos olhos de Deus e dos homens, o Senhor possibilitou à humanidade o meio através do qual todos poderiam ser salvos da condenação eterna, como o evangelho de João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16)

IV. Para ser o único mediador entre Deus e o homem
O objetivo central da encarnação de Cristo, é o desejo de Deus de restabelecer sua comunhão com o homem que fora perdida no Jardim do Éden. Mas para que isso fosse realizado, era necessário que houvesse um mediador entre Deus e os homens, capaz de levar a humanidade de volta à comunhão com o seu criador. Podemos notar este fato através das palavras do próprio Senhor Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6), palavras estas reforçadas pelo apóstolo Paulo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” (1 Tm 2.5-6).

Em última análise, a encarnação de Cristo foi necessária para que fosse estabelecido um sumo sacerdote perante Deus, que fosse capaz de entender as fraquezas humanas e ao mesmo tempo, capaz de permanecer perante o trono da graça , intercedendo pelos salvos afim de que adquirissem misericórdia e auxilio do Senhor, como podemos verificar no seguinte texto:“Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiantemente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.14-16).

V. Para destruir as obras do diabo
Outra razão de suma importância para compreendermos a encarnação de Cristo, está na declaração do apóstolo João acerca da razão da encarnação de Cristo. Em sua primeira carta, o apóstolo no diz: “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1 Jo 3.8).

Desde a queda do homem, o diabo, o diabo reinava de forma absoluta na terra, ainda que de forma ilegal, controlando as ações humanas devido ao controle do pecado sobre a natureza do homem que fora corrompida após a queda de Adão. Assim, para que o diabo fosse derrotado e suas obras fossem destruídas, era necessário que surgisse na terra um homem capaz de viver uma vida completa sem pecado, mas visto que todos os homens estavam sujeitos a uma natureza caída e dominada pelo pecado, o único capaz de realizar tal feito seria alguém divino, mas como Deus é espírito (Jo 4.24), e portanto sem corpo físico, era necessário que Ele viesse a terra em forma de homem, para que, ao viver uma vida santa e justa em um corpo humano, Ele fosse capaz de aniquilar as obras do diabo em seu próprio território, ou seja, o planeta terra.

VI. Para ser o padrão do nosso corpo redimido
Como dissemos anteriormente, o plano original de Deus em relação à humanidade era manter com ela uma relação de comunhão e intimidade, relação esta que foi interrompida com o pecado de Adão. No entanto, Deus nunca desistiu de manter comunhão com o ser humano, e para que seu objetivo fosse realizado, Ele nos enviou o seu Filho, em forma de carne, para que ao habitar no meio de nós, nos possibilitasse o restabelecimento de nossa comunhão com Deus.

Para que existe uma perfeita comunhão entre o homem e Deus, é necessário que ele seja membro efetivo do reino Eterno do Pai, ou seja, é necessário que o homem, ingresse de forma corporal na dimensão do Seu Reino Eterno. No entanto, as Escrituras nos ensinam de formam clara e direta que “a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção” (1 Co 15.50), desta forma, para que o homem possa ingressar de forma corporal no reino de Deus, e assim obter uma perfeita, completa e eterna comunhão com o seu Criador, lhe é necessário um novo corpo, um corpo que seja desprovido de qualquer limitação física, um corpo que seja eterno tal como Deus é Eterno, e que resplandeça a gloria eterna do Pai.
Paulo, em sua carta aos coríntios, também nos diz que “assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15.49). Dito isto, e analisando os relatos acerca das aparições de Cristo após a sua ressurreição nos quatro evangelhos canônicos, vemos que apesar de possuir um corpo totalmente material, a ponto de poder ser tocado (Lc 24.39-40), e de receber alimento (Lc 24.41-43), Cristo adquiriu um corpo que não estava restrito as limitações físicas, podendo atravessar paredes (Lc 24. 36) e flutuar no ar (Lc 24.50-52; At 1.9). No entanto, pelo fato de ainda não ter retornado ao seu Reino, o corpo de Jesus ainda não tinha sido glorificado, e era portanto semelhante ao seu corpo terreno, mas através do relato de João no livro de Apocalipse, podemos ter idéia da glória e da majestade que o nosso corpo celestial irá possuir: “ Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas” (Ap 1.12-15).

Ao se referir acerca do arrebatamento à Igreja de Corinto, o apóstolo Paulo nos informa que no momento em que formos arrebatados por Cristo, para ingressar eternamente no Seu Reino, nosso corpo será transformado, revestindo-se de incorruptibilidade e de imortalidade (1 Co 15.51-55).

Assim, podemos afirmar convictamente, que um dos motivos para a encarnação de Cristo é para que seu corpo ressurreto, fosse um padrão para o nosso futuro corpo celestial, pois como diz o apóstolo Paulo: “Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1Co 15.20).

VII. Para ser um juiz qualificado
A bíblia nos informa de maneira direta e objetiva que terminado o reino milenar de Cristo (Ap 20.1-6), que se dará após a grande tribulação (Ap 19.11-21), haverá uma série de julgamentos na terra, a fim de condenar todos os homens de todas as épocas que não forem encontrados no livro da vida (Ap 20.15). No entanto, ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, o juiz responsável por tal julgamento, não será o Deus Pai, mas o Deus Filho, Jesus Cristo.

Esse fato torna-se evidente no evangelho de João, onde o Senhor em um de seus diversos discursos aos judeus, Ele diz:“E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento, a fim de que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem” (Jo 5.22-27).

Dito isto, verificamos um outro motivo para a encarnação do Senhor, pois através de sua completa humanidade. Por ser Deus, Cristo é o único capaz de julgar à humanidade com total justiça e retidão, mas pelo fato de também possuir uma natureza humana, Cristo pode colocar de lado toda e qualquer desculpa que possam ser oferecidas pelo homem na ocasião do julgamento final.

VIII. Para cumprir a aliança com Davi
Vemos no segundo livro de Samuel, uma promessa que Deus faz a Davi, logo após ele ter trazido a arca da aliança à Jerusalém, e de ter sido impedido pelo Senhor de construir o Templo, nos diz o texto: “Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” (2 Sm 7.12-16). Essa promessa feita por Deus a Davi, diz respeito ao seu futuro descendente, Jesus de Nazaré (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38), que de acordo com as palavras do anjo Gabriel no momento em que anunciava o nascimento de Cristo à Maria: ”Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” ( Lc 1.31-33).

Dito isto, podemos perceber outro motivo para que a encarnação de Cristo ocorresse. Conforme a promessa de Deus feita a Davi, o futuro sucessor de seu trono deveria ser tanto Deus como homem. O ocupante do trono de Davi deveria ser homem, pois somente um homem poderia governar de forma pessoal e presencial a nação de Israel. No entanto, para que esse governo durasse para sempre, seu governante deveria ser imortal, e visto que somente Deus é eterno (Sl 90.2), era necessário que um de seus descendentes fosse tanto Deus, quanto homem para que a promessa feita a Davi fosse perfeitamente cumprida.

Assim, a encarnação de Cristo também foi o caminho determinado por Deus de cumprir sua aliança feita séculos antes com o seu servo Davi.

IX. Para cumprir o propósito original do homem de dominar a criação
Em seu plano original, Deus fez o homem à sua imagem e semelhança para que ele subjugasse toda criação, sendo assim seu representante legal na terra. No entanto, devido ao pecado de Adão, a humanidade teve sua natureza corrompida pelo pecado, tornando-se assim incapaz de cumprir o papel que lhe fora delegado por Deus.

No entanto, a fim de cumprir seu desígnio para com a humanidade, Deus enviou o seu Filho Unigênito para que, ao encanar-se na forma humana, fosse de viver sem pecado e como recompensa receber “Toda a autoridade no céu e na terra” (Mt 28.18), colocando-lhe assim “todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja” (Ef 1.22).

Em apocalipse, o Senhor Jesus faz o seguinte aviso à Igreja:“Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono” (Ap 3.21),e o apóstolo Paulo nos diz: “não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos?” (1 Co 6.2-3).Assim, podemos verificar que a encarnação de Cristo serviu para que através dele, todos os remidos pudessem cumprir o papel que Deus determinou à humanidade: governar a terra.

A humanidade de Cristo - 2º Parte

Após termos abordado a concepção virginal de Cristo, bem como as razões para a sua encarnação, convido você meu amado, a meditar sobre o segundo aspecto a ser analisado em relação à Cristologia: a plena e absoluta humanidade de Cristo.

A Bíblia nos fornece inúmeras passagens que defendem a plena e absoluta humanidade de Jesus salientando as conseqüências de Ele possuir um corpo plenamente humano até os dias de hoje.

I. Jesus possuía um corpo perfeitamente humano

A doutrina da plena humanidade de Cristo é embasada em inúmeras passagens bíblicas, tais passagens nos informam acerca dos detalhes de seu nascimento, crescimento e limitações físicas proporcionadas pela sua completa humanidade.
A respeito de seu nascimento, as Escrituras afirmam que Jesus teve um nascimento igual ao de qualquer criança: “Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2.1-7); as Escrituras também nos informam que o seu crescimento ocorreu de forma totalmente igual a das demais crianças: “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.” ( Lc 2.40); também afirmam que o crescimento físico e espiritual de Jesus ocorreu de forma gradativa perante de Deus e dos homens: “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2.52).
Já a respeito de suas limitações físicas decorrentes de seu corpo plenamente humano, as Escrituras afirmam que Jesus estava sujeito ao cansaço físico como qualquer ser humano: “Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.” ( Jo 4.6), as Escrituras também afirmam, que à semelhança de qualquer homem, Jesus estava sujeito à fome:”E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.”(Mt 4.2) , bem como estava também sujeito à sede:“Nisto, veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.” (Jo 4.6), também vemos que Jesus estava sujeito ao esgotamento físico, a tal ponto que durante seu processo de crucificação, os soldados obrigaram Simão cirineu a carregar a cruz de Cristo: “E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.”(Lc 23.26); mas o indicativo mais importante da plena humanidade de Cristo, é que seu corpo também estava sujeito à morte física: “Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.” ( Lc 23.46)

II. Jesus possuía uma mente humana

Outro fato que torna evidente a plena humanidade de Cristo, e a declaração de Lucas acerca de sua mente:”E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.”(Lc 2.52), tal declara registrada no evangelho de Lucas, indica que Jesus, como qualquer outra criança, passou por um processo de aprendizagem, onde foi-lhe ensinado a comer,a falar,a ler e a escrever, e a ser obediente aos seus pais, sendo assim aperfeiçoado a cada dia em sua humanidade, como podemos ver em Hebreus: “Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.7-9).Outro ponto fundamental para embasar a afirmativa de que Jesus possuía um mente humana, é sua afirmativa relativa ao dia de seu retorno à Terra durante seu sermão escatológico: “Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.” (Mc 13.32)

III. Jesus possuía alma e emoções humanas

O terceiro fato que evidencia a plena humanidade de Cristo,está no testemunho bíblico de que Jesus, além de possuir corpo e mente humanos, Ele possuía alma e emoções puramente humanas. As escrituras registram que Jesus possuía alma humana principalmente nos últimos dias anteriores à sua morte. Logo após ter ressuscitado a Lázaro, o Senhor faz sua ultima aparição pública no templo, onde durante seu sermão acerca de sua morte, Jesus faz a seguinte declaração: “Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.”( Jo 12.27), outra passagem importante para fundamentar a alegação de que Jesus possuía uma alma humana, está na ocasião da última páscoa, em que após ter dado suas últimas palavras aos discípulos, o Senhor afirmou:“Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.” (Jo 13.21), mas a passagem mais significativa para fundamentarmos a alegação de que Jesus possuía uma alma plenamente humana, está em sua declaração aos discípulos no Jardim do Getsemâni antes de sua oração ao Pai, onde o Senhor faz a seguinte confissão a Pedro,a Tiago e a João: “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.” (Mt 26.38)
Em relação a declaração de que Jesus possuía sentimentos plenamente humanos, está nas narrativas bíblicas de que Jesus experimentou sentimentos tais como: admiração (Mt 8.10), tristeza (Jo 11.35) e ansiedade ( Jo 11.35)

IV. Jesus era considerado apenas humano pelas pessoas que o cercavam


O quarto fato que evidencia a plena humanidade de Cristo, é talvez a maior evidência acerca de sua plena humanidade que as Escrituras nos fornecem, ou seja: Jesus era considerado um simples humano por todas as pessoas que o cercavam.
Essa evidência é encontrada em um dos Evangelhos, que relata um incidente ocorrido no meio do ministério de Jesus na Galiléia, onde apesar de Jesus ter curado toda a sorte de doenças e enfermidades entre o povo, de modo que numerosas multidões começaram a segui-lo, quando o Senhor se dirigiu a sua própria cidade, Nazaré, onde todos os moradores o conheciam, para ensinar-lhes acerca do Reino de Deus na sinagoga local. No entanto, apesar de sua enorme fama ter chegado àquela cidade, o Senhor não foi aceito pelos seus conterrâneos, como registra a passagem a seguir:

“Tendo Jesus proferido estas parábolas, retirou-se dali. E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa. E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13.53-58)

Ao analisarmos este texto, podemos verificar o quão importante ela é para fundamentarmos a plena e absoluta humanidade de Cristo.Quando o Senhor se dirigiu à Nazaré para pregar as boas novas e continuar operando sinais e maravilhas e para anunciar a chegada do Reino de Deus, as pessoas que conviveram com o Senhor durante 30 anos, vendo-o crescer e trabalhar como carpinteiro assim como fora seu pai José, não viam naquele jovem carpinteiro de trinta anos como sendo o próprio Deus encarnado.Para eles, Jesus era nada mais do que um homem comum, um bom homem, justo, sincero e confiável, mas nada mais do que um simples homem.
A plena humanidade do Senhor, também é evidenciada na descrença dos seus irmãos em relação à pessoa de Jesus, seu irmão mais velho. Conforme nos informa Jo 7.5, vemos que para eles, que cresceram na mesma casa em que Jesus fora criado, não viam o seu irmão mais velho, como sendo o Deus Eterno, que havia se encarnado.
Continua.....
Por miss. Felipe

A humanidade de Cristo - 1º Parte

O primeiro aspecto a ser analisado em relação a Cristologia, ou doutrina de Cristo, se refere à sua humanidade. Para isso, é de suma importârcia abordamos os diversos aspectos referentes a essa questão: a concepção virginal de Jesus.

  1. Sua concepção virginal

Vemos claramente em dois dos quatro evangelhos (Mateus e Lucas), ao contrário dos demais seres humanos, que são concebidos através da união sexual entre um homem e uma mulher, a concepção de Jesus foi uma ação miraculosa do Espírito Santo, que fez com que Jesus fosse gerado no ventre de uma mulher que ainda não havia mantido relações sexuais com o seu futuro marido, sendo, portanto virgem.

A bíblia é taxativa em relação ao nascimento virginal de Jesus, como podemos ver em dois dos quatro evangelhos, assim diz o evangelho de Mateus acerca do nascimento de Jesus: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; E dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chama-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco. E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher;E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus” (Mt 1.18-25); o evangelho de Lucas oferece maiores detalhes acerca do nascimento de Jesus, nos informando que: “E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta. Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; Porque para Deus nada é impossível.

Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.” (Lc 1.26-38)
A concepção virginal de Jesus é vital para a Cristologia, por quatro fatores:


I. Qualifica Jesus como o único salvador da humanidade
Cerca de setecentos anos antes, o profeta Isaías declarou: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.” (Isaias 7.14)

Dessa forma, a concepção de Jesus em uma virgem por ação do Espírito Santo como registrada em Mateus e Lucas, além de cumprir a profecia de Isaias, atesta a alegação cristã de que Jesus de Nazaré, é o messias tão aguardado por Israel, serve também para embasar a afirmativa de Jesus: ”Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” ( Jo 14.6)

II. Comprova a salvação como obra exclusiva do Senhor
A primeira promessa registrada nas Escrituras encontra-se logo no início de Gn 3.14, logo após a queda de Adão, Deus promete à toda a humanidade, que o salvador viria da semente da mulher, ele esmagaria a cabeça, enquanto que a serpente lhe feriria o calcanhar.

Ao afirmarmos que a concepção virginal de Jesus, queremos afirmar que a salvação é obra exclusiva do Senhor, queremos dizer, que a salvação poderia ser efetuada somente pela intervenção direta de Deus, na história da humanidade, como podemos ver no evangelho de João:“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”( Jo 3.16), bem como na carta aos Gálatas: “4 vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, 5 para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”(Gl 4.4-5)

III. Possibilitou a plena humanidade de Cristo sem a herança do pecado
Após a criação do universo, dos céus e da terra bem como os animais e plantas, o Senhor decide fazer uma criatura totalmente diferente das demais por Ele já criadas, tal criatura seria feita à sua imagem e semelhança (Gn 1.26), ou seja, esta criatura seria portadora de alguns dos atributos encontrados apenas na divindade, atributos estes tais como: amor, sabedoria e santidade e livre arbítrio, no entanto, tais atributos seriam encontrados nessa criatura de uma forma limitada, pois apenas Deus os possui em sua plenitude.

Através do barro, o Senhor cria o homem, e sopra em suas narinas o fôlego de vida, tornando-lhe alma vivente (Gn 2.7), dando-lhe total liberdade e autoridade sobre o jardim do Éden, com uma única restrição: foi vedado ao homem o direito de se alimentar da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 1.26-31; 2.15-17).

A serpente, que era o animal mais astuto de todos os animais do campo (Gn 3.1), sendo possuída pelo diabo, persuadiu a mulher a comer da árvore do conhecimento, argumentando que ao contrário do que Deus havia dito, o resultado de se comer daquele fruto não seria a morte, mas sim lhe daria a capacidade de se igualar a Deus. Seduzida pela oferta, “e vendo que a árvore era boa aos olhos, agradável para se comer, e desejável para dar entendimento, Eva sucumbiu ao argumento da serpente e provou do fruto da árvore do conhecimento, repartindo daquele fruto com o seu marido Adão. Após terem provado daquele fruto, reconheceram que estavam nus, cozendo folhas de figueira para cobrir-se” (Gn 3.6-7).

Ao ouvirem a voz do Senhor em sua visita diária pelo Éden, tanto Adão quanto a mulher tentaram se esconder atrás das árvores do Jardim. Mas quando o Senhor, chamou por Adão, ele saiu por detrás das árvores confessando o seu pecado, no entanto, ao tentar explicar o porquê de sua desobediência, ele tenta colocar a culpa em sua mulher.Questionada pelo Senhor o porquê de sua atitude, a mulher tenta se esquivar de sua responsabilidade, tentando imputar a culpa à serpente pela sua desobediência.

O ato de comer do fruto da árvore do conhecimento , revela-se em si um pecado contra Deus, pelos seguintes fatos: 1) Ao dar atenção aos argumentos da serpente, Eva e depois Adão duvidaram da veracidade da palavra de Deus, questionando assim um dos atributos divinos, a santidade; 2) Ao dar atenção aos argumentos da serpente, Eva e depois Adão confiaram em sua própria avaliação acerca daquilo que era certo ou errado, colocando assim em dúvida outros dos principais atributos de Deus, a sua moral; e 3) Ao dar atenção aos argumentos da serpente, Eva e depois Adão desejaram se tornar iguais a Deus, colocando em dúvida outro dos principais atributos de Deus, sua soberania.

Após ouvir as defesas do homem e da mulher, o Senhor declara o castigo para os três:

Para Eva – para a mulher o Senhor declara o seguinte juízo: “16 E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” (Gn 3.16)

Para Adão – para o homem o Senhor declara o seguinte juízo: “17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. 18 Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. 19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.” (Gn 3.17-19)

Para a serpente – para a serpente, o Senhor declara o seguinte juízo: “14 Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.” (Gn 3.14)

Logo após declarar sua sentença ao pecado da serpente, o Senhor declara a primeira das inúmeras promessas contidas na Bíblia Sagrada, e a primeira promessa foi feita exatamente ao principal agente causador da queda de Adão e Eva: Satanás.Ao diabo, o Senhor faz a seguinte declaração: “15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3.15)

Assim, a concepção virginal de Jesus é de fundamental importância para o cristianismo, uma vez que ela declara, ainda que indiretamente, que a salvação é uma obra exclusiva de Deus, uma vez que a partir do pecado de Adão, a natureza humana foi corrompida, inclinando o homem à pratica do pecado e levando-o gradativamente a afastar-se mais e mais da comunhão com o seu Criador, como podemos ver em romanos: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).Além de subjugar o homem ao domínio do pecado (Rm 6.20; 7.20), o surgimento de uma natureza pecaminosa no homem, afetou todos os aspectos de sua vida, tais como: seu intelecto (2 Co 4.4); mente reprovável (Rm 1.28); incapacidade de conhecer a Deus (Ef 4.18) e suas corrupção de suas emoções (Rm 1.21,24,26; Tt 1.15).

Assim, a concepção virginal de Jesus, resulta na parcial interrupção da descendência de Adão e a conseqüente transmissão de sua natureza corrupta, possibilitou o surgimento de um homem que não tivesse sido contaminado com o pecado permitindo-lhe a faculdade de não cometer pecado (2 Co 5.21; 1 Pe 2.22), permitindo a Jesus, através de uma vida de obediência à vontade de Deus (Hb 5.8), oferecer a si mesmo como único sacrifício capaz de aplacar a ira de Deus (Hb 10.12).

IV. Possibilitou a plena união entre a natureza humana e divina de Cristo
Como vimos anteriormente, Deus tem se revelado à humanidade de diversas maneiras, mas a forma mais completa pela qual o Senhor pode se revelar à humanidade, uma forma através da qual toda a humanidade pudesse conhecer a essência do caráter do criador de todas as coisas.

Para isso, e para também restabelecer sua comunhão perdida com a humanidade na ocasião do pecado de Adão no Éden, Deus enviou seu Filho Unigênito, que é “o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). No entanto, para que o Filho (que é igualmente divino como o Pai), pudesse revelar a Deus e resgatar a humanidade da condenação pelo pecado, era-lhe necessário se revestir de uma natureza humana, sem contudo perder sua natureza divina, era necessário que Ele viesse ao mundo de uma forma natural e ao mesmo tempo de uma forma sobrenatural, ou seja, era necessário que o Salvador nascesse através do ventre de uma mulher, mas ao contrário do restante da humanidade, Ele deveria nascer livre da natureza corrompida do ser humano.Assim, para atender a essas condições, a concepção virginal de Jesus, possibilitou ao Filho Unigênito de Deus, unir sua natureza humana, com a natureza divina, viabilizando a reconciliação entre Deus e à humanidade.

Continua.....

Missº Felipe Dias

Novidade abril de 2009

a paz do Senhor a todos!
Peço perdão a todos pela minha longa ausência, mas aproveitando a oportunidade, quero lhes anunciar que a partir de hoje, estarei divilgando uma série de estudos sobre uma das doutrinas fundamentais da bíblia, a doutrina de Cristo, também conhecida como Cristologia.
Antes de divulgar essa série de estudos, é necessário explicarmos dois pontos:
  1. Doutrina - como doutrina podemos entender o conjunto de princípios que formam a base de um sistema relioso. As doutrinas cristãs são reveladas nas Escrituras.
  2. Cristologia - termo derivado de duas palavras gregas: christhos, que significa ungido e logia, que significa estudo, conhecimento. Dessa forma, podemos entender o termo cristologia, como sendo o estudo sistemático e ordenado que visa obter o conhecimento acerca da vida e da obra de Cristo.

Dessa forma, começarei a apresentar o estudo por mim realizado acerca desta importante doutrina.

Espero que apreciem!

em Cristo

Missº Felipe Dias

Encontrando a Saída!

Em João 14:6 JESUS disse assim: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. Provavelmente essa é a melhor e a mais repetida das declarações de Jesus. Sem o caminho você não pode avançar. Sem a verdade você não pode ter conhecimento e sem a Vida, você não pode ter a vida. Por isso JESUS esta dizendo: Eu sou o Caminho que você deve procurar. Eu sou a Verdade na qual você deve crer. E eu sou a Vida, na qual você deve colocar as suas esperanças.



S.Mateus 7:13 Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;

S. João 9:36,37 Respondeu ele: Quem é, senhor, para que nele creia?
Disse-lhe Jesus: Já o viste, e é ele quem fala contigo.

Aos Romanos 12:12 alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;

Conclusão:

Os homens de hoje vivem num mundo de fantasias, mentiras, não crêem mais em nada e hein ninguém; fazem o que querem e acham que ter Jesus no coração, é simples só da boca pra fora.
A nossa luta é mostrar a verdade a cada um, fazendo com que se arrependam de suas atrocidades e se cheguem mais a Deus, buscando a salvação e remissão dos seus pecados. Só assim, haverá redenção para suas almas. O difícil não é carregar Jesus no peito, e sim ter peito para carregar Jesus.

Deuteronômio 30:19,20
O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,
Amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; e para que habites na terra que o Senhor prometeu com juramento a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó, que lhes havia de dar.C